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A consulta, com forte conteúdo educativo,
enfatiza a partilha de informação sobre o corpo
e seu funcionamento, buscando promover tanto o conhecimento quanto
a amizade com o próprio corpo. Nesta perspectiva,
o papel da consulta é menos o de ter o corpo feminino fiscalizado
e esquadrinhado por uma figura de autoridade, mas sim o de oferecer
uma oportunidade para a compreensão conjunta (atendente
e atendida) daquele corpo em particular, com sua história
e suas características. Assim, a consulta inclui várias
etapas que propiciam a participação da usuária.
Em primeiro lugar, a anamnese (ficha clínica)
é preenchida pela própria mulher atendida, a não
ser que esta não seja alfabetizada. Isso permite um primeiro
momento de reflexão da mulher com ela mesma; esta anamnese
é então lida conjuntamente na consulta, quando são
identificadas e esclarecidas as questões mais importantes
trazidas ao atendimento.
O exame físico, por sua vez, é na medida do possível
partilhado com a usuária, que é estimulada a fazer
ela mesma o exame de mamas, depois que a profissional fez este exame
e o demonstrou. O exame da vulva, da vagina e do colo do útero
são feitos em conjunto com a usuária, com a ajuda
de um espelho; a própria usuária é estimulada
a introduzir o espéculo em sua vagina, assim como tocar a
vagina, sentir sua musculatura, etc..
Cada detalhe do exame é explicado à usuária,
tanto da anatomia normal quanto de qualquer possível variação
ou alteração. A coleta de exames laboratoriais durante
o exame físico é acompanhado pela paciente, tanto
o exame da secreção vaginal (feito de rotina em todas
as consultas) quanto o papanicolau (prevenção do câncer
de colo).
A secreção vaginal e/ou do colo, muitas vezes um motivo
de ansiedade da paciente mesmo quando se trata apenas do corrimento
normal, é interpretada na consulta, quando mostramos
a variação normal de quantidade e aspecto desta secreção
durante o ciclo menstrual, e como identificar a secreção
que pode indicar algum problema.
Todo este processo de exame conjunto é facilitado
pelo uso de recursos educativos como moldes da pélvis que
servem tanto para explicar visualmente as relações
anatômicas e funcionais entre os órgãos, como
também para que a paciente possa ensaiar o toque
da vulva, da vagina e do colo antes de fazê-lo em si mesma.
Esse processo facilita, inclusive, o uso adequado de contraceptivos
de barreira, tais como o diafragma e a camisinha feminina, quando
essa é a opção da usuária.
Assim entendemos a promoção da saúde reprodutiva
e sexual das mulheres: um processo de aprendizado contínuo
de apropriação, de afeto e de cuidado com o corpo,
especialmente com nossas partes mais mimosas. |