| |
|
| Você
está aqui: Fique Amiga Dela --> Artigos
--> Homens |
| Gênero, Sexualidade
e Auto-cuidado: o que acontece quando ela leva para ele uma receita
de tratamento de DST? |
| Simone Grilo Diniz (sidiniz@uol.com.br)
, Sérgio Barbosa; Rosa de Lourdes Azevedo dos Santos; Ana Fátima
Macedo dos Santos Galati, Maria Jucinete Machado, Marta Argolo e Fabiana
Garcia. Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde (CFSS). Apoio
da CN-DST/AIDS
Antecedentes
O Coletivo Feminista Sexualidade Saúde desenvolve desde
1985 um trabalho de atenção primária à
saúde da mulher com uma perspectiva feminista e humanizada,
tendo atendido desde então, ais de seis mil mulheres. Inspirado
pela experiência feminista internacional, a abordagem utilizada
desde a capacitação das primeiras trabalhadoras, foi
a crítica ao modelo médico convencional da gineco-obstetrícia.
Nosso modelo propõe uma assistência humanizada, com
tratamentos naturais e menos agressivos, a importância do
conhecimento e da apreciação do corpo como elemento
central para a saúde. A mulher/usuária é percebida
como um indivíduo, o sujeito da ação de saúde,
capaz de entender, decidir e cuidar do próprio corpo e da
própria vida.
Como parte dessa assistência, como em outros serviços
de atenção primária em saúde da mulher,
os corrimentos vaginais são uma parte importante da demanda.
Na consulta de rotina, oferecemos a cada mulher um diagnóstico
de sua flora vaginal, um excelente indicador da da ausência
de doenças sexualmente transmissíveis e da saúde
reprodutiva (em sua dimensão mais propriamente biológica).
No tratamento de DST, além do aconselhamento, quando indicado
fazemos a prescrição do tratamento tanto para a mulher
quanto para seu parceiro ou parceira. Nos caso de mulheres heterossexuais,
alvo dessa pesquisa, está indicado o tratamento simultâneo
do casal e o uso de condom durante o tratamento - além, claro,
do seu uso na prevenção de novas infecções
STs inclusive pelo HIV.
Como o tratamento simultâneo e o uso de condom é essencial,
mas raramente avaliado, e nosso registro do retorno dado pelas pacientes
é muito irregular, resolvemos padronizar a anotação
do resultado da prescrição para a mulher e parceiro.
Para ter mais elementos sobre o que ocorre em etapa tão fundamental
e negligenciada, resolvemos pesquisar o que acontece quando a mulher
leva para casa uma receita do tratamento de ambos.
Partimos do pressuposto de que estão envolvidas várias
etapas do trabalhos: ajudar a mulher a compreender o caráter
sexualmente transmissível dos sintomas (ela foi contaminada
e deve estar contaminando), a compreender a necessidade do tratamento
simultâneo e do uso de barreiras (ela tem que se cuidar, tratar,
proteger), a entrar pelo delicado assunto da eventual outra relação
dela ou de seu parceiro ou parceira (o que reconhecemos que pode
despertar muitos conflitos), e até mesmo a necessidade do
contato com uma terceira (ou quarta, ou quinta, etc.) pessoa envolvida.
A rotina de aconselhamento que utilizamos é inspirada nos
manuais do Ministério da saúde, que recomenda trocar
informações sobre DST e HIV/aids, suas formas de transmissão,
prevenção e tratamento, com ênfase para as situações
de risco do cliente; ajudar o cliente a avaliar e a perceber seus
riscos de infecção pelo HIV e outras DST; identificar
barreiras para a mudança das situações de risco;
contribuir para a elaboração de um plano viável
de redução de riscos; trocar informações
sobre DST e HIV/aids, suas formas de transmissão, prevenção
e tratamento, com ênfase para as situações de
risco do cliente; explicar as complicações decorrentes
do não-tratamento, tratamento incompleto ou automedicação
das DST; reforçar a necessidade de tratamento do(s) parceiro(s)
sexual(is); enfatizar a relação entre DST e HIV/aids,
entre outras.
Mesmo reconhecendo que estas recomendações estão
muito corretas, entendemos que na prática as mulheres encontram
grandes desafios tanto para aconselhar como para atender a esses
conselhos, se tomamos em conta as relações de gênero
e da cultura sexual e reprodutiva brasileira.
|
Continuação:
Metodologia
menu de artigos | direitos
autorais |
|
|
|