Os microbicidas são métodos químicos apresentados sobre a forma de gel, creme, filme, supositório, esponjas ou anéis vaginais, com propriedades de reduzir a transmissão de DST quando introduzidos na vagina ou no reto. Alguns desses produtos estão no mercado há décadas, utilizados como espermicidas, como é o caso do nonoxinol-9 (N-9). O uso desta substância é controverso, pois estudos mostraram que apesar de seu uso diminuir o risco de infeção por gonorréia e clamídia, pode haver um risco aumentado de lesões genitais e mesmo de infecção pelo HIV (36, 37). Uma experiência multicêntrica com essa substância no Brasil, como espermicida associado ao diafragma, mostrou que na dosagem de 2% em gel ou creme, para uso fora do contexto do trabalho sexual, raramente aconteceram problemas com a mucosa (38). As pesquisas atuais buscam microbicidas que possam ser seguros o suficiente para o seu uso independente de outro método como as barreiras (33; 39).
Existem atualmente 30 diferentes produtos em estudo, sendo que três deles estão na fase de teste em seres humanos. Acredita-se que para chegar nos próximos cinco anos a um produto adequado disponível no mercado, seja necessário um investimento de cerca de 100 milhões de dólares anuais em pesquisas, o que não tem ocorrido, de forma que as investigações estão em defasagem com o avanço da epidemia, sobretudo entre mulheres (39).
Idealmente, os produtos a serem desenvolvidos devem incluir as seguintes características: serem ativos contra um grande número de patógenos, terem toxicidade baixa, permitirem a função reprodutiva, serem aceitável na dinâmica da relação sexual, terem um efeito de longa duração, não serem absorvíveis sistemicamente e não alterarem a flora vaginal (14). Além do N-9, há vários produtos em desenvolvimento, incluindo componentes para mudar o pH da flora vaginal, drogas antiretrovirais, e supositórios vaginais para aumentar a presença de lactobacilos ativos na flora vaginal, entre outros. Não há previsão de entrada no mercado ainda de nenhum deles.
Dada a precariedade das opções de proteção para as mulheres, estima-se que há um grande mercado para estes microbicidas; um estudo calculou que nos Estados Unidos há 21.3 milhões de usuárias potenciais (40).