De
acordo com o Boletim Epidemiológico AIDS de janeiro a março de 2001, nesse período
foram registradas 7099 notificações de aids, totalizando 210447 casos da doença
desde 1980, sendo 5 casos de doentes residentes em outros países. Do total,
155792 (74%) são do sexo masculino e 54660 (26 %) do sexo feminino. O número
de casos em menores de 13 anos chegou a 7335 (3,5% do total).
A
propagação da infecção no Brasil mostra uma epidemia de múltiplas dimensões
que vem, ao longo do tempo, sofrendo extensas modificações em seu perfil
epidemiológico. Inicialmente restrita ao eixo Rio-São Paulo e cidades maiores,
marcadamente masculina, atingindo especialmente indivíduos homossexuais, hemofílicos
e usuários de drogas, a epidemia
passa por processos heterossexualização, feminização, interiorização e
pauperização. O aumento da transmissão heterossexual tem como conseqüência
o aumento substancial dos casos em mulheres, considerado o mais importante fenômeno
hoje da epidemia no Brasil (2). O
crescimento da epidemia torna-se mais diferenciado entre homens e mulheres:
entre os homens, observou-se no período de 1994-98 um percentual de crescimento
de 10,2% das notificações, enquanto nas mulheres este crescimento foi de 75,3%
(1)
Nos
primeiros anos da epidemia, no início da década de oitenta, o grupo
populacional mais atingido foi o dos homens que fazem sexo com homens (HSH) –
homossexuais ou bissexuais. Em 1984, entre os casos notificados, 71% eram
referentes a estes homens. Depois da extensa disseminação inicial neste grupo,
nos anos anteriores seguiu-se certa estabilização, principalmente entre os
homens dos segmentos médios das cidades maiores, como resultado da mobilização
social e das mudanças de comportamento para a adoção de práticas sexuais
mais seguras. (2)
Nos
anos seguintes, vemos uma diminuição da participação proporcional desse
grupo populacional entre o conjunto de casos notificados, chegando a apenas 16%
dos caso entre 1999/2000. Por outro
lado, temos o aumento da transmissão heterossexual que foi de 6,6% dos casos em
1988 para 39,2% em 1998 (2). No período de 1994-98, os casos de exposição
heterossexual ao HIV apresentavam um crescimento de 11%, enquanto os casos de
exposição homo/bi tiveram um acréscimo de 8,6% (1). Mais recentemente, dados
sugerem um aumento da transmissão entre HSH jovens (70).
Fonte:
CN-DST/AIDS/SPS – Ministério da Saúde, 2000. In: Castilho, 2001
A
razão de sexo (razão entre casos de homens e de mulheres) caiu de 24:1 em 1985
para 6:1 em 1990, estando desde 1997 em 2:1. Em cerca de 15% dos municípios
brasileiros que tem pelo menos um caso de AIDS notificado, a razão de sexo já
se inverteu; a maioria destes municípios têm população igual ou menor que 50
mil habitantes; nesses contextos, a transmissão é predominantemente
heterossexual, na faixa etária de 20 a 39 anos, em todos os níveis de
escolaridade.
Entre
os homens nota-se uma aparente desaceleração da epidemia, principalmente nos
grandes centros, enquanto em todo o Brasil se observam os maiores aumentos
relativos dos casos em mulheres. Nas cidades com mais de 500 mil habitantes na
região Sudeste, a taxa de crescimento da epidemia entre mulheres tem sido de
20% ao ano. A proporção de mulheres entre os casos notificados aumentou de
9,9% no período de 1980 a 1988, para 33,3% entre 1999 e 2000 (1, 2). Seria
interessante a comparação do crescimento da
epidemia
entre heterossexuais, homens e mulheres, o que daria um quadro mais ajustado ao
padrão mais recente de transmissão.
O
grupo dos casos notificados por transmissão sangüínea no início da epidemia
era composta basicamente por hemofílicos e pessoas que receberam sangue (62% em
1984). Com o controle de sangue e hemoderivados, há uma enorme redução nesses
casos, e uma participação crescente dos usuários de drogas injetáveis (UDI).
Em 1984, 37% dos casos eram entre os UDI, em 1999/2000, esses eram 99% dos casos
de transmissão sangüínea. Esta
grande participação dos UDI nas
ocorrências de AIDS teve um papel fundamental na disseminação dos casos entre
mulheres, usuárias de drogas ou parceiras de UDI, além da disseminação nas
rotas do tráfico e de consumo, para os municípios menores.
Entre
os municípios de 50 a 500 mil habitantes, verifica-se a predominância da
categoria de transmissão dos usuários de drogas, em todos os períodos de
tempo, enquanto nos municípios de menos de 50 mil habitantes, a transmissão
heterossexual constitui a maioria dos caso no último período de tempo. Com
relação à idade, 70% dos caso notificados em ambos os sexos, estavam na faixa
entre 20-39 anos. Note-se que a
faixa entre 13-29 anos caiu de 37,3% em 198-1988 para 30,1% e, 1998/1999,
enquanto os caso de mais de 30 anos aumentaram de 60,6 para 69,7% no mesmo período.
O grupo mais jovem, entre homens e mulheres, é o de transmissão sexual e de
usuários de drogas (coorte dos nascidos nas décadas de 60 e 70), enquanto os mais velhos são os HSH (coorte dos
nascidos nos 40 e 50). (2)
Fonte: CN-DST/AIDS/SPS –
Ministério da Saúde, 2000/In:Castilho, 2001
No
que diz respeito à pauperização da epidemia, a escolaridade tem sido
utilizada como variável indireta de situação sócio-econômica, o que veio a
refletir o aumento da epidemia entre aqueles com menor escolaridade.
No
início da epidemia, a quase totalidade dos caso tinha escolaridade superior ou
média (76% em 1985); nos anos subsequentes, houve uma tendência de aumento de
casos com menor escolaridade.
No
período entre 1999-2000, entre os caso com escolaridade informada, 74% eram
analfabetos ou haviam cursado até a quarta série do ensino fundamental. Para
homens, há uma redução dos indivíduos com maior escolaridade no decorrer dos
anos, porém para as mulheres, desde o início da epidemia as proporções no
grupo de menor escolaridade já ultrapassavam 70%, se mantendo relativamente estáveis.
Entre os homens, 2,8% são analfabetos, cifra que sobe a 5,1% entre as mulheres
(2).
Tabela
1
– Taxas de incidência de aids, segundo sexo e grau de escolaridade* para
indivíduos com 20-69 anos de idade por ano de diagnóstico. Brasil, 1990-97
|
Sexo |
Escolaridade
|
Ano de diagnóstico
|
Taxa de. variação anual** |
p*** |
|||||||
|
90 |
91 |
92 |
93 |
94 |
95 |
96 |
97 |
||||
|
Masculino |
Até 8 anos |
14,7 |
19,9 |
25,2 |
28,3 |
30,4 |
31,7 |
33,4 |
35,0 |
17,6 % |
0,001 |
|
+ de 8 anos |
31,3 |
36,9 |
41,7 |
41,2 |
40,8 |
39,6 |
37,0 |
34,3 |
04,9% |
0,056 |
|
|
Feminino |
Até 8 anos |
03,1 |
04,7 |
06,8 |
08,6 |
09,6 |
11,0 |
13,3 |
15,6 |
25,7% |
0,000 |
|
+ de 8 anos |
02,2 |
03,1 |
05,1 |
06,0 |
06,7 |
07,8 |
08,6 |
09,5 |
24,5% |
0,001 |
|
|
Total |
Até 8 anos |
08,8 |
12,2 |
15,9 |
18,3 |
19,8 |
21,2 |
23,2 |
25,1 |
16,3% |
0,003 |
|
+ de 8 anos |
16,1 |
19,2 |
22,5 |
22,7 |
22,9 |
22,9 |
22,1 |
21,3 |
04, 8 |
0,047 |
|
*Casos com escolaridade ignorada foram
corrigidos por um modelo de análise discriminante. ** As tendências foram
analisadas para o período de 1990-96. ***Valores do nível de significância
descritivo.
Fonte: CN-DST/AIDS/SPS –
Ministério da Saúde, 2000/In: Castilho, 2001
Fonte:
CN-DST/AIDS/SPS – Ministério da Saúde, 2000/In: Castilho, 2001 (8)
As
informações até aqui apresentadas são os casos de AIDS, aqueles que chegaram
ao estágio mais avançado da imunodepressão,
ou seja, esses dados não refletem o número de infectados pelo vírus, e
que possivelmente adquiriram o vírus há 10 anos atrás, ou mais. Considerando
que os atuais recursos de diagnóstico e tratamento estão interferindo na história
natural da doença, em consequencia, é
possível que um grande número de pessoas infectadas permaneçam sem preencher
os critérios que definem o caso de AIDS, não sendo assim detectadas pelos
sistemas de informação. Esta
situação leva a distorções na interpretação da evolução da epidemia, com
importantes conseqüências na implantação de políticas sociais relacionadas
à epidemia (8).
Szwarcwald
e Castilho estimaram em 536.920 o número de pessoas de 15-49 anos infectadas
pelo HIV, dos quais 0,4% corresponderiam às gestantes, ou cerca de 12.898. De
acordo com dados do Ministério da Saúde, em 1998 apenas 2.512 mulheres
receberam AZT injetável no momento do parto, ou apenas 19,5% do total das grávidas
portadoras do HIV. Este número é muito pequeno, considerando que a enorme
maioria das gestantes se dispõe ao diagnóstico sorológico, e que o
medicamento está disponível nos serviços. Esta triste realidade levou a
iniciativas como a criação do
Sistema de Vigilância de Gestantes HIV Positivas e Crianças Expostas, que
buscará melhorar as condições de diagnóstico, tratamento e monitoramento das
ações nas mulheres e crianças. (8)
Fonte: CN-DST/AIDS/SPS –
Ministério da Saúde, 2000/Castilho, 2001 (8)
No
que diz respeito às pesquisas comportamentais que possam contribuir para a
compreensão da vulnerabilidade das mulheres à epidemia de HIV/AIDS, alguns
estudos recentes trazem dados muito relevantes para a compreensão do contexto
das relações de gênero e a vulnerabilidade das mulheres. A primeira delas é
o estudo sobre o comportamento de conscritos do exército, realizado em todo o
Brasil. Embora o trabalho se refira a esse grupo específico, não permitindo
generalizações para a população como um todo,
ele sugere que há uma considerável resistência do jovem brasileiro –
a faixa etária que mais usa o preservativo – ao uso dessa proteção.
Conforme o trabalho, a maior resistência ao uso é entre os rapazes das regiões
Norte e Centro-Oeste. O percentual de "uso de preservativo em todas as
vezes" variou de 37% a 42%, do menor ao maior nível de escolaridade
respectivamente. O estudo mostra que, se é nítida a influência da
escolaridade na prática sexual protegida, o mesmo não pode ser comentado a
respeito do grau de conhecimento e da vulnerabilidade de pegar AIDS, que parecem
ter efeito apenas entre aqueles que "nunca usam camisinha". Não há
coincidência entre a suposição de uma situação e a prática de fato. Ao
contrário, entre os que responderam
que "não transariam com a namorada sem camisinha", apenas 54%
afirmaram usar a camisinha em todas
as vezes. (15, 7)
Outro
trabalho muito importante é o “Comportamento Sexual da População Brasileira
e Percepção do HIV/AIDS” (CEBRAP/MS, 2000).
Realizado em 1998 com uma amostra de 3600 indivíduos de 16 a 65 anos, a
pesquisa mostrou que 80% das pessoas eram sexualmente ativas, porém os homens
iniciavam a vida sexual mais cedo, a mantinham até uma idade mais avançada,
tinham mais parcerias e mais parcerias eventuais,
e faziam uso de álcool e de drogas quando das relações sexuais com maior freqüência,
o que estava relacionado com uma pior capacidade de usar o condom. Sobre as
mulheres, o estudo mostra que, mesmo com a redução da idade de início da vida
sexual, maior para as meninas, elas ainda iniciam a vida sexual mais tarde
(antes dos 15 anos, 32% das meninas contra 47% dos meninos), têm menos
parceiros e mais parcerias estáveis (entre os homens, 20% têm relações
eventuais no contexto de uma parceria estável, contra apenas
4% das mulheres), se percebem mais em situação de risco do que os
homens, sabem mais sobre o HIV e como prevenir a infeção que os homens, mesmo
nas faixas mais baixas de escolaridade, e apesar disso, declaravam usar menos o
preservativo do que os homens - ou melhor, declaravam que o parceiro usava.
Mesmo na faixa de maior uso do preservativo, entre 16 e 25 anos, 53% dos homens
contra 35% das mulheres utilizavam este recurso. O grupo que menos usa
preservativo é o das mulheres com parcerias estáveis, com apenas uma em cada
5. Este quadro é bastante ilustrativo das diferenças entre conhecimento,
consciência do risco e capacidade de negociar
a proteção do preservativo no contexto das relações de gênero.
Outro
trabalho que traz muitas informações relevantes para pensar a vulnerabilidade
das mulheres é o “O Brasil no Estudo Multipaíses Sobre a Saúde da Mulher e
a Violência Doméstica”[i]
(16). Os dados preliminares deste trabalho, que pesquisou 2163 domicílios na
região urbana de São Paulo e 2136 na área
rural em Pernambuco, parecem confirmar estudos internacionais quanto à
prevalência de violência física
e/ou sexual nas relações com o parceiro: o relato de episódios de violência
estava presente como experiência ocorrida pelo menos uma vez na vida de cerca
de uma em cada quatro das mulheres na área urbana e
de cerca de um terço delas na área rural. O estudo mostra que já
fizeram o teste para o HIV quase a metade das mulheres em São Paulo e apenas
uma em cada vinte mulheres na área rural de Pernambuco. A freqüência
relativamente alta do teste em SP reflete a exposição às campanhas e à mídia,
o que possivelmente atinge os mais jovens, contribuindo para uma maior percepção
da vulnerabilidade; assim como o acesso ao teste no pré-natal. A
disponibilidade do teste e do aconselhamento na rede pública contribuem para
essa proporção. Entre as mais velhas pode haver uma menor percepção da
vulnerabilidade, associada às parcerias estáveis e antigas, enquanto o nível
educacional permitiria maior acesso à informação. A diferença dramática da
cobertura em PE pode refletir a menor oferta de serviços de saúde em geral e
do teste na rede pública, assim como a diferente percepção da vulnerabilidade
coletiva, associada à menor concentração da epidemia naquela região.
Dados
preliminares indicam que entre as mulheres que sofrem violência sexual ou física,
o recurso ao teste parece ser menor que entre as que não enfrentam este
problema, mesmo entre as que sofreram violência sexual. O trabalho também
aponta para o contexto mais amplo de vulnerabilidade no qual estas mulheres estão
colocadas, confirmando estudos de outros países: entre aquelas que enfrentam a
violência física e/ou sexual, a capacidade de auto-cuidado parece ser menor,
embora haja grande consumo de serviços, o que parece refletir um peculiar padrão
de uso de serviços (caracterizado por queixas vagas e
menor busca por recursos efetivos de saúde), seja quando se trata da saúde
reprodutiva, como no caso da prevenção do câncer de colo, seja quando se
trata de DSTs ou da testagem para o HIV.
No
estudo são trabalhadas hipóteses, levantadas em pesquisas de outros países,
que apontam uma diminuição da capacidade de preservar a própria saúde
associadas a relações violentas, o que
se traduz por maior adesão a hábitos prejudiciais à saúde como o tabagismo e alcoolismo. Esses estudos mostram também uma
associação das relações violentas com dificuldades mesmo de preservar a própria
vida, como por exemplo, no significativo aumento de vários sintomas de
sofrimento emocional, incluindo a freqüência de pensamentos suicidas e de
tentativas de suicídios (17).
Estes
dados mostram o difícil e complexo contexto em que as mulheres têm que lidar
com a negociação de relações sexuais protegidas: para muitas mulheres, as
tentativas de comunicação com os parceiros podem desencadear ou agravar
conflitos que levam à violência. Além das dificuldades de comunicação e
negociação, a hierarquia de
prioridades sobre a promoção ou preservação da saúde ou da própria vida
parece ser distinta no contexto de relações violentas. Uma revisão dos
estudos sobre a relação entre violência, comportamento de risco e saúde
reprodutiva (17) mostrou que os indivíduos que foram abusados sexualmente
estavam mais freqüentemente envolvidas em relações com sexo desprotegido,
tinham múltiplos parceiros, e trocavam sexo por dinheiro ou drogas. Um estudo
na Índia mostrou que os homens que tinham sexo extraconjugal estavam também
envolvidos em violência contra as esposas numa proporção 6.2 vezes maior que
os outros, e ainda, que aqueles homens que tinham sintomas de DSTs eram 2,4
vezes mais associados a agredirem as esposas que os não agressores (18). Outro
estudo mostrou que a violência ou sua ameaça, e o medo do abandono pelo
parceiro, são barreiras muito importantes para as mulheres que precisam
negociar camisinha, discutir fidelidade, ou mesmo de sair de uma relação
evidentemente arriscada para elas (19).
Esta
pesquisa brasileiroa (16) mostra ainda que entre as mulheres com uma história
de sexo forçado, quatro em cada dez tinham menos de 15 anos, indicando que há
uma alta prevalência de violência sexual nos primeiros anos da idade
reprodutiva, ou mesmo antes do seu início. Neste estudo, uma em cada 8 mulheres
iniciou sua vida sexual com um estupro. Iniciar a vida sexual com violência
parece ser uma problema sério também para os homens: um dos estudos
apresentados no III CBP DST/AIDS mostrou que em um grupo de HSH, 27% deles havia
iniciado sua vida sexual através de uma relação forçada (CP/P-65)
É
necessário também, ao analisar a epidemia, considerar o recorte étnico e
racial. No contexto da heterossexualização, interiorização e pauperização
de epidemia, as mulheres negras se
encontram em situação especialmente vulnerável, por sua maior exposição às
conseqüências da violência estrutural e menor acesso aos projetos de prevenção,
assim como maior exposição ao tráfico e à oferta de drogas ilícitas (11).
Além disso, como o movimento de mulheres negras tem mostrado, as práticas de
aconselhamento nos serviços públicos de saúde, por suas características
sexistas, paternalista e racistas, prejudicam em especial as mulheres mais excluídas
e afrodescendentes (11).
[i] Ver o relatório de pesquisa: Schraiber LB , D' Oliveira AFPL ( Brazil- Principal Investigators) O Brasil no estudo multipaíses sobre Saúde da Mulher e Violência Doméstica e sexual contra a mulher-, Preliminar data In Garcia-Moreno, C; Charlotte Watts ( Multi country coordinators). The WHO Multicountry study on women´s health and life events. World Health Organization, 2001.