| O Coletivo pesquisa Quando
iniciamos o trabalho no Coletivo, a proposta era a de formar mulheres não-trabalhadoras
de saúde para atender mulheres de uma perspectiva feminista. Fizemos uma
primeira etapa de formação, e o ambulatório era o eixo do
trabalho. No decorrer dos anos, novas tarefas foram se incorporando, como a formação
dos recursos humanos, entre elas a pesquisa e o ativismo nas redes sociais. O
Coletivo foi cada vez mais me envolvendo com a pesquisa. Embora essa não
fosse sua intenção original, a pesquisa mostrou-se ser uma de suas
vocações. Nesses anos do trabalho com saúde reprodutiva,
várias temáticas vão se acrescentando ao trabalho, e assim
se tornando objeto da assistência e de investigação. Um
deles foi o da contracepção e da busca por oferecer opções
contraceptivas mais amplas para suas usuárias, através do atendimento
individual, da prioridade aos métodos de barreira e sob o controle da mulher,
do atendimento em grupo e dos treinamentos oferecidos no contexto do PAISM. Tivemos
a oportunidade de pesquisar,na maioria das vezes em redes de parcerias muito enriquecedoras.
Entre elas as pesquisas sobre "Aborto - A Outra Versão do Crime"
(vivência das mulheres com gravidez indesejada em busca de um aborto seguro),
sobre "A Eficácia e Aceitabilidade do Diafragma no Contexto Brasileiro",
sobre "Saúde e Direitos Reprodutivos" em uma rede transcultural
de pesquisa, o IRRRAG (Grupo de Pesquisa e Ação em Direitos Reprodutivos,
da sigla em inglês); sobre masculinidade em "Homens, Sexualidade e
a Construção da Pessoa", também na rede de pesquisa
do IRRRAG; sobre Violência de gênero na família e nas instituições
de saúde (em parceria com o Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP);
sobre AIDS e saúde reprodutiva com vários parceiros e com o Ministério
da Saúde, entre outras. Também estudamos as grandes mudanças
em nossa demanda de usuárias e no perfil de uso de métodos, em especial
no contexto da epidemia de DSTs/AIDS, e das perspectivas, limites e possibilidades
trazidas por este novo contexto e pelos novos métodos, para o milênio
que se inicia. E sobre como as relações de gênero estão
envolvidas na capacidade de homens e mulheres de cuidarem de sua saúde
sexual e de se protegerem das DSTs
e da AIDS. Outro tema foi o da violência contra as mulheres. Desde
o início do trabalho no Ambulatório do Coletivo, o problema da violência
- em todas as suas formas, das ameaças de espancamento ao abuso sexual
incestuoso - já era um problema reconhecido. Esse tema se desdobra em todo
um projeto de pesquisa, ação, formação, criação
de redes, que foram os projetos de Violência, Gênero e Direitos Humanos
- Novas questões para o campo da saúde, apoiado Fundação
FORD. O trabalho foi uma fértil parceria entre o CFSS e o Departamento
de Medicina Preventiva - (FM-USP), em especial com a professora Lilia Schraiber
e com Ana Flávia P. L. d'Oliveira. Atualmente conduzimos a pesquisa "25
anos de respostas brasileiras em violência contra a mulher", apoiado
pela Fundação
Ford. Na trajetória do Coletivo Feminista Sexualidade Saúde,
um dos trabalhos mais importantes foi o apoio à maternidade, gravidez e
parto saudáveis e prazerosas, através da assistência individual
e em grupo das gestantes e seus parceiros no serviço, e pela participação
do Coletivo na luta pela mudança das políticas com relação
à maternidade e pela humanização da assistência. Um
dado importante é a própria mudança na reflexão sobre
a maternidade entre nós desde então. Várias das pesquisas
do Coletivo citadas acima estão registrado na publicação
"A Experiência do Coletivo Feminista Sexualidade
Saúde. São Paulo", uma edição do próprio
Coletivo. Estamos abertas para novas parcerias e desafios na produção
de conhecimentos da perspectiva feminista. |