ICPD+10 e além:
para onde deve caminhar o nosso movimento?
Sonia Corrêa, Associação Brasileira Interdisciplinar para a AIDS, rio de Janeiro, Brasil. Adrienne Gemain, presidente da International Women’s Health Coalition, nova York, EUA. Rosalind P. Petcheskyc, professora emérita de Ciências Políticas do Hunter College, Universidade da Cidade de Nova Iorque, EUA.
Resumo
Nesta mesa redonda, três experimentadas ativistas internacionais no campo dos direitos
sexuais e reprodutivos discutem os desafios a serem enfrentados pelo movimento feminista de
saúde da mulher depois de passada uma década da Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento de 1994, no Cairo, e da Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher de 1994, em
Beijing. A discussão trata da natureza do contexto global de 1994 e 1995, e de como aquele contexto
mudou à luz do crescente conservadorismo e da epidemia de HIV/AIDS. Elas refletem sobre os acertos
e limitações da agenda do Cairo e sobre a importância estratégica de se adotar uma visão de longo
prazo. Enfatizam especialmente a necessidade de fortalecer os sistemas de saúde no mundo todo,
argumentando a favor de um uso melhor e mais voltado para as mulheres dos recursos existentes, e
para a construção de coalizões mais amplas. Exploram os pontos em comum e as diferenças entre os
grupos feministas de um lado, e as organizações médicas e de planejamento familiar de outro, bem
como os modos de utilizar espaços de discussão como o Fórum Social Mundial. Dentre os pontos mais
promissores internacionalmente incluem-se o crescimento do movimento de jovens pela saúde e direito
sexual e reprodutivo, e a abertura para alianças com os ativistas de HIV/AIDS, os trabalhadores do
sexo, as pessoas que convivem com o HIV/AIDS e as organizações de direitos humanos em torno dos
direitos sexuais e corporais.
Abstract
In this roundtable discussion, three long-time international activists in the field of
reproductive and sexual rights discuss the challenges facing the feminist women’s health movement ten
years after the 1994 International Conference on Population and Development in Cairo, and the 1995
Fourth World Conference on Women in Beijing. Their conversation reflects on the nature of the global
context in 1994-95 and how that context has changed a decade later, especially in light of growing
conservatism and the growing HIV/AIDS epidemic. They consider the successes and limitations of the
Cairo agenda and the strategic importance of taking a long-term view. In particular, they emphasise
the need for strenghtening health systems worldwide, advocating for better and more woman-firendly
use of existing resources and building broader coalitions. Much of the conversation explores points
of commonality and difference between feminist groups on the one hand, and medical and planning
organisations on the other, as well as ways of utilising such venues as the World Social Forum. Points
of greatest promise internationally include the growing youth movement for sexual and reproductive
health and rights and the potential for opening up larger alliances around sexual and bodily rights with
HIV/AIDS activists, sex workers, people linving with HIV and AIDS and human rights organisations.
Palavras-chave:Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, direitos
reprodutivos, direitos sexuais, HIV/AIDS, política populacional, grupos de saúde e de direitos
da mulher, globalização, construção de coalizões.