Um estudo qualitativo sobre o uso de preservativos
entre casais casados em Kampala, Uganda
Nancy E Williamson, Cientista Sênior, Ciências Sociais e Comportamentais, Family Health International (FHI), Research Triangle Park NC, EUA.
Jennifer Liku, Pesquisador Associado, FHI, Nairóbi, Quênia
Kerry McLoughlin, Pesquisador Assistente II, Ciências Sociais e Comportamentais, FHI, Research Triangle Park NC, EUA
Isaac K Nyamongo, Institute of African Studies, Universidade de Nairóbi, Nairóbi, Quênia
Flavia Nakayima, Membro IPH-CDC HIV/Aids, Universidade de Makerere, Institute of Public Health, Kampala, Uganda
Resumo
Passados 25 anos da epidemia de HIV/Aids, o uso de preservativos em relações estáveis continua baixo e pouco pesquisado nos países em desenvolvimento com alto índice de HIV. Introduzir preservativos em um relacionamento de longo tempo, apesar do risco de HIV, é considerado estranho. Conduzimos um estudo qualitativo em Uganda, com 39 casais que relataram uso de preservativos em 100% das vezes que tiveram relações sexuais nos últimos três meses. As mulheres foram selecionadas entre as participantes de um estudo clínico que utilizavam camisinhas e contavam com a concordância dos parceiros. Vinte e duas mulheres e seis homens relataram ter tomado a iniciativa de sugerir o uso de preservativo; os demais casais não entraram em acordo sobre quem teve a idéia primeiro. Para fazer seus parceiros concordar em usar preservativo, as mulheres usaram insistência, recusa de sexo, persuasão e o argumento de que as camisinhas constituíam uma forma de fazer planejamento familiar e de proteger as crianças, o que ajudou a desviar o foco da desconfiança. Alguns homens resistiram inicialmente, mas suas reações foram freqüentemente mais positivas do que o esperado. As razões relatadas pelos homens para aceitar os preservativos foram: agradar a parceira, protegê-la do HIV, proteger as crianças e a si próprios e, em alguns casos, continuar tendo outras parceiras. Apesar de o uso de preservativos ser um comportamento do casal, um ambiente favorável à sua adoção e a disponibilidade dos preservativos são cruciais para o aumento de casais usuários em lugares como Uganda.
Abstract
Twenty-five years into the HIV/AIDS epidemic, condom use among married/stable couples remains low and under-researched in developing countries, even countries with high HIV prevalence. Introducing condoms into a long-standing relationship, in spite of HIV risk, is likely to be awkward. We conducted a qualitative study in Kampala, Uganda, with 39 couples reporting 100% condom use in the previous three months. The women were recruited from among women in a clinical trial who were using condoms and whose partners also agreed to participate. Twenty-two of the women and six of the men reported having taken the initiative to suggest condom use; the remaining couples disagreed who raised the subject first. Women used insistence, refusal to have sex, persuasion, and condoms for family planning or to protect children, which helped to deflect distrust and get their partner to agree. Some men resisted initially but their reactions were often more positive than expected. Men’s reasons for accepting condoms were to please their partner, protect her from HIV, protect their children, protect themselves and, in some cases, continue having other partners. Although condom use is a couple behavior, an encouraging environment and condom availability are all crucial to increasing condom use by couples in settings like Uganda.