A União de Mulheres de São Paulo se dispôs
a atuar em parceria com o Hospital da Mulher/Pérola Byington para elaborar
e implantar um Serviço de Atendimento Integral às Mulheres em Situação
de Violência Doméstica (1996).
A primeira reação
da diretoria do hospital quando apresentamos o projeto foi de insegurança
diante da possibilidade de ter que atender mulheres politraumatizadas, com lesões
neurológicas graves e fraturas.
Tomamos, então, a iniciativa
de estudar os laudos de exame de corpo de delito encaminhados às delegacias
e constatamos que predominavam as lesões corporais de natureza leve. Os
casos graves vão diretamente para os pronto-socorros não sendo atendidos
nos ambulatórios de saúde da mulher.
Ao mesmo tempo, junto
à diretoria do hospital, foram tomadas medidas que viabilizavam retaguarda
hospitalar para os casos neurológicos e ortopédicos graves.
Iniciamos
com o apoio da diretoria do hospital, uma experiência pioneira de grupos
focais, com a participação de mulheres das várias clínicas,
para realizar um diagnóstico baseado nos seus relatos e na associação
que fazem das suas doenças com a violência doméstica.
Concluímos
que a incorporação pelos serviços de saúde pública
da prática de ouvir as mulheres, poderá ajudar a orientá-las
de forma mais eficiente, em todos os aspectos de saúde e cidadania, contribuindo
assim para humanizar os serviços. Os dados colhidos devem ser registrados
para que se constituam num acervo de conhecimentos imprescindíveis para
o bom funcionamento do serviço de saúde.
Pretendíamos
atuar junto à Comissão de Prontuário para que fosse incluída
a questão sobre a violência doméstica. Isto porque esta inclusão
propiciaria dados estatísticos para estudos e pesquisas que reforçariam
a necessidade de implantação de serviços de saúde
de atendimento aos casos de violência doméstica facilitando a associação
desta com os agravos da saúde da mulher.
No entanto, na área
da saúde pública, o comportamento habitual tem sido de tratar os
sintomas sem aprofundar as causas, o que reforça a invisibilidade da violência
contra a mulher. Por isso decidimos elaborar um projeto de lei que incluísse
o quesito violência de gênero no sistema municipal de informação
de saúde.
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