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Coletivo 40 anos: núcleo de Ginecologistas e Obstetras

Coletivo 40 anos: núcleo de Ginecologistas e Obstetras

As comemorações dos nossos 40 anos seguem hoje apresentando as ginecologistas e obstetras que compõem o ambulatório de saúde das mulheres do Coletivo!

Fazem parte dele Halana Faria, Joyce Martins e Luisa Jacques, profissionais com diferentes trajetórias que enxergaram no Coletivo um espaço no qual valia a pena colocar tempo e criatividade para produzir feminismo em saúde na prática.

Para isso, convidamos Halana Faria para recuperar um pouquinho da sua própria história na organização e do trabalho feito pelas ginecologistas que compõem nossa equipe. Segue o relato dela:

“Há sete anos, quando fui fazer mestrado em São Paulo, fui convidada a resgatar os trabalhos do “ambulatório” do Coletivo. Quando recebi as primeiras fotos do espaço e o convite por email, devorei o livro que fazia o resgate histórico de mais de 30 anos do Coletivo e tive certeza que aquele era um lugar onde valia muito a pena colocar tempo e criatividade.

Abria-se à minha frente a possibilidade de fazer feminismo em saúde na prática. Eu, que estava mergulhada nos debates da assistência ao parto, fui me dando conta do quanto o resto todo da atenção às mulheres (ainda bem alheia às questões de transgeneridade) carecia de problematizações e novos dispositivos e práticas em todos os ciclos e contextos de vida.

Quando reabrimos a agenda de atendimentos, contando com antigas pacientes e boca-a-boca, não tínhamos ideia de como o que voltávamos a oferecer encontrava ressonância nas demandas que floresciam com a primavera feminista.

Escuta atenta e qualificada, espaço para compartilhamento de experiências em saúde sexual e reprodutiva, respeito à orientação sexual e identidade de gênero, debate sobre a incorporação de tecnologias em saúde pautada por evidências científicas, construção de planos terapêuticos com práticas integrativas, acolhimento de gestações não planejadas, informações e ferramentas para escolha em planejamento reprodutivo.

Enfim, um local onde era real a possibilidade de se desfazer de velhos conceitos sobre um corpo defeituoso para entendê-lo como potente. Um lugar onde ensaiar relações mais horizontais com as pessoas de quem cuidamos para que fosse possível autonomia em saúde de fato.


Os dois primeiros anos foram de muita escuta e de muito diálogo. Escutamos atentamente as críticas ao modelo médico hegemônico e todas elas fazem parte do que passamos a realizar e multiplicar de forma pioneira. Aproveito pra deixar um abraço a cada uma que sentou naquele sofá do nosso consultório, que é uma sala de estar.

As consultas foram crescendo e chegaram as queridas parceiras médicas de família para somar junto a mim que atuava como ginecologista e as obstetrizes que compunham um grupo de atendimento de parto domiciliar. Começamos a refletir conjuntamente sobre nosso modelo de atendimento, resgatamos as rodas ‘Fique Amiga Dela’, passamos a produzir materiais informativos como cartilhas (disponíveis no site), realizamos muitos espaços de formação interna, fizemos palestras e rodas nos mais variados locais, construímos jogos educativos, iniciamos estágios para estudantes e profissionais de saúde, apresentamos nossos trabalhos em congressos, participamos de debates sobre direitos sexuais e reprodutivos

Hoje o Coletivo, que já funcionou através do apoio de financiadoras e projetos junto a órgãos públicos, se mantém através das consultas que realizamos. Como ONG entendemos que nossas consultas privadas e sociais contribuem para a construção de um modelo de atenção à saúde, que chega ao SUS através das nossas formações, estágios ou mesmo através do trabalho das profissionais que atuam conosco e também no setor público. Quando você passa em consulta conosco está de certa forma possibilitando que uma série de outras atividades possam ser realizadas.

Hoje atuam como ginecologistas e obstetras, Joyce Martins e Luisa Jacques. Entendemos que nosso papel, além do atendimento de consultas, é construir um modelo em que ginecologistas sejam apoio ao trabalho de médicas de família e obstetrizes. Trata-se de ruptura necessária compreendermos que o atendimento ginecológico pode ser realizado por profissionais que as vejam inteiras em sua complexidade e que isso não passa por ter o ‘seu/sua ginecologista’”.

Quer saber mais sobre o trabalho por nossas ginecologistas e obstetras? Confiram no Instagram suas publicações: @ginecologiafeminista, @joycemartinsgo e @mulheridades.em.prosa

Escrito pela equipe do Coletivo Feminista

Rua Bartolomeu Zunega, 44 Pinheiros – São Paulo/SP
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Segundo a OMS, o Brasil tem a 5a. maior taxa de feminicídios do mundo. Entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres morreram por serem mulheres. A Agência Patrícia Galvão traz dados que confirmam que ser mulher é um risco: uma travesti ou mulher trans é assassinada no país a cada dois dias; 30 mulheres sofrem agressão física por hora; uma mulher é estuprada a cada dez minutos; 97% das mulheres já foram vítimas de assédio no transporte; e 76% das mulheres já sofreram violência e assédio no trabalho.