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Coletivo Feminista

Sobre o Coletivo Feminista
O Coletivo de Saúde Feminista Sexualidade e Saúde é uma Organização Não Governamental, que desenvolve desde 1981 um trabalho com especial foco na atenção primária em saúde das mulheres, com uma perspectiva feminista e humanizada. Desde sua origem, o Coletivo Feminista se estruturou a partir de um consultório próprio e particular, e assim foi ao longo de suas três décadas. Durante esses anos, pode desenvolver diversos projetos a partir de financiamentos de organizações internacionais e nacionais, assim como através de convênios com o governo em áreas como: direitos humanos das mulheres, violência de gênero e saúde sexual e reprodutiva.
Trajetória do Coletivo
Ao longo de sua trajetória, os atendimentos se expandiram para uma diversidade de atendimentos de saúde. Desenvolvendo e ampliando as áreas de atendimento e dos profissionais de saúde entendendo a necessidade de cada ser humano a partir do enfoque das relações de gênero e da luta contra o machismo.
O Coletivo Feminista hoje
A atual equipe do Coletivo compreende que o cuidado em saúde que se opõe ao controle dos corpos, em especial a do corpo feminino, das relações abusivas e de violências, deve acontecer através do cuidado e da atenção às mulheres e aos homens, às crianças e aos adultos. E neste sentido a adesão na equipe de medicas e médicos da família e comunidade, além dos profissionais que tradicionalmente já incorporavam a equipe, como medicas ginecologistas, obstetrizes, psicólogos e psiquiatras, trouxeram em evidencia a necessidade de sempre desenvolvemos nossa percepção, podendo somar a perspectiva feminista, o atendimento em saúde sem distinção de gênero, idade ou qualquer outra discriminação.
História do Feminismo na área da saúde
Para as feministas, o direito à saúde vai muito além da cura da enfermidade, pois esse direito implica em bem-estar físico, emocional e mental da pessoa. A história do feminismo no âmbito da saúde, aborda a saúde de modo que ela influi e é condicionada por todos os aspectos de nossas vidas, ela é assegurada pela alimentação, educação, habitação e trabalho. Portanto, não podemos conceber a saúde da mulher como algo desvinculado do seu papel dentro da sociedade e de sua esfera íntima.
O feminismo como um movimento político
As mulheres em seu processo de tomada de consciência transformam os problemas pessoais e individuais em assuntos políticos. Quando examinamos nossas próprias vidas, começamos a analisar e a questionar as estruturas sociais que nos oprimem. Ao entendermos essas estruturas, podemos organizar ações para neutralizar as opressões. Nesse processo de questionamento, as mulheres começaram a desmistificar o exercício da medicina em geral, da ginecologia em particular. Partindo da constatação de que a relação do médico com a paciente era autoritária e as práticas desumanizadas, as mulheres começaram a formar grupos de aprendizagem do auto-cuidado e de troca de experiências sobre a saúde.
Como e onde surgiram os primeiros grupos feministas voltados para a saúde?
Os primeiros grupos surgiram nos Estados Unidos, nos anos 70, se estendendo logo depois para a Europa, a América Latina e o Caribe. As primeiras ações dos grupos foram de denúncia de um estado de coisas no campo da saúde, que oprimiam as mulheres e outros excluídos. As feministas desmascararam velhos mitos como o do orgasmo vaginal. Afirmaram que o amor sexual entre mulheres não era uma doença, mas uma opção. Denunciaram que o controle da população sob a máscara da liberdade de reprodução era a principal motivação para a pesquisa, e para o desenvolvimento dos métodos contraceptivos. Levaram a público que muitas mulheres do Terceiro Mundo estavam sendo usadas como cobaias em pesquisas de alta tecnologia para o controle da natalidade. E mais, que o emprego desses métodos, assim como o da esterilização de mulheres, eram usados por muitos governos como forma de controle populacional.
A História do Feminismo no campo da indústria farmacêutica
No campo da indústria farmacêutica, as mulheres organizaram campanhas contra drogas perigosas, como o Depo-Provera. Lutaram, sobretudo, contra as políticas dos laboratórios, que obedecendo as leis de lucro, exercem influência na definição dos serviços de saúde. As feministas investigaram a pílula e os diversos dispositivos intra-uterinos denunciando seus riscos, exigiram que as mulheres fossem informadas sobre os riscos e vantagens de cada método, lutaram pela descriminalização do aborto, que além de um direito de escolha da mulher, por ser proibido no Brasil e em muitos outros países, é uma importante causa de mortalidade materna. Apontaram também que a gravidez e o parto em condições de risco podem levar à morte ou a questões de morbidade, além de listarem novas preocupações que influenciam a saúde direta e indiretamente, como a nutrição, a saúde mental, a sobrecarga de trabalho, entre outras.
Movimento de mulheres pela Saúde
Surgido nos anos 70, o movimento de mulheres pela saúde apresenta um alto nível de organização e de articulação. Um momento emblemático foi a realização do 1º Encontro Nacional de Saúde da Mulher, em 1984. No evento, estiveram presentes mais de setenta grupos de mulheres de todo país, resultando na elaboração do primeiro documento público — a Carta de Itapecerica — com as reivindicações das mulheres para a saúde. Nesse mesmo ano, o Ministério da Saúde implementou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que objetivava criar ações dirigidas às mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos. O movimento de mulheres estava fortalecido com os princípios da Carta de Itapecerica, que reivindicava, entre outras questões, que o PAISM atendesse a todas as faixas etárias, contemplando assim todos os momentos de vida da mulher. A reivindicação acabou por ser aceita, o que representou incontestável vitória para o movimento. Muitos outros avanços ocorreram e podemos dizer, neste início da década de 2000, que o movimento de mulheres pela saúde encontra-se bastante organizado. Essa organização se traduz no número de grupos, na participação em vários mecanismos de decisão e de implementação das políticas públicas. A criação, em 1991, da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos — atuante em 21 estados brasileiros — da a dimensão do grau de organização. A participação das mulheres nos movimentos pela saúde sempre foi positiva e crítica, tentando fazer valer as principais reivindicações e atentando para as questões fundamentais, colocadas pelas conferências da Nações Unidas, como a IV Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (1994, no Cairo) e a IV Conferência Mundial sobre a Mulher (1995, em Pequim). Lembrando que ambas as conferências foram pautadas por reivindicações fundamentais dos movimentos de mulheres.
Mulheres pela saúde
Em síntese, os objetivos do movimento de mulheres pela saúde foram e seguem sendo o de recuperar o conhecimento das mulheres, denunciar a expropriação e o controle do corpo feminino e alcançar uma participação ativa na formulação e implementação das políticas de saúde. Como conseqüência dos trabalhos desses grupos germinais, a América Latina e o Caribe contam hoje com uma forte organização das mulheres em torno da saúde, dos direitos reprodutivos e sexuais. Redes de saúde, publicações, simpósios, seminários, cursos e ações políticas pipocam por todo o continente.

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Dúvidas Frequentes - FAQ do CFSS

Atividades do Coletivo Feminista

Com certeza não 🙂
Este é um dos canais de comunicação do Coletivo, para divulgação de nossas atividades, produções, projetos, atividades. Também temos o Instagram do Coletivo e nosso site, visite: http://mulheres.org.br
O Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde tem uma sede própria, onde funciona um ambulatório de saúde, com perspectiva feminista, desde 1981, na cidade de São Paulo.

O Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde atualmente funciona em um espaço físico próximo ao Largo da Batata, na cidade de São Paulo, como um local de encontro, acolhimento, atendimento e cuidado em saúde com uma perspectiva feminista.
Fundado em 1981, sua trajetória passou por diversas formulações, por duas casas, e diversos projetos no Brasil, sempre com o olhar da desmedicalização, enfrentamento da violência contra as mulheres, pelos direitos sexuais e reprodutivos.
Para saber mais, acesse o site: http://mulheres.org.br/historia/

No Coletivo atualmente acontecem os atendimentos de saúde (com médicas, obstetrizes, doula, nutricionista, psicólogas e psicólogos, acupunturista) e jurídico. Também acontecem rodas de conversa, mini cursos,
confraternizações, debates; acompanhe nossa programação através de nossa newsletter e também de nossas redes sociais:
Inscreva-se na newsletter: http://mulheres.org.br/
Instagram: https://www.instagram.com/coletivo_feminista_s_saude/
Facebook: https://www.facebook.com/ColetivoFeminista

Na sede do Coletivo são oferecidas oficinas, mini cursos, rodas de conversa, além das consultas com profissionais da saúde e do direito. Não são realizados exames laboratoriais ou de imagem no Coletivo, mas quando necessários, são solicitados pelas profissionais através de pedidos médicos.

Atendimentos em Saúde

Consultas de rotina e cuidados ginecológicos (com médicas), planejamento reprodutivo com métodos hormonais e não hormonais (com médicas e obstetrizes), consulta pré-concepcional (com nutricionista, médicas e obstetrizes), pré-natal (com médicas, obstetrizes e nutricionista), acolhimento de gestações não planejadas. Também são oferecidos atendimentos com doula, nutricionista, advogadas, psicólogas e psicólogos.

Não. Atualmente o Coletivo não é conveniado ao SUS e as consultas são particulares, mediante pagamento. As alternativas são os reembolsos realizados por algumas operadoras de saúde e as consultas sociais.

Não, porém alguns convênios/planos de saúde realizam reembolso para suas clientes, mediante o recibo emitido pelo Coletivo. É preciso verificar com seu plano para conhecer se há essa possibilidade.

Sim, realizamos consultas sociais para mulheres que não tenham condições de arcar com o valor da consulta. Todos os profissionais dispõem em sua agenda alguns horários para atendimento social (consultas com um valor mais acessível ou, dependendo da situação, gratuitas). Para saber mais, ligue e peça mais informações: (11) 3812-8681.

O agendamento acontece da mesma forma que os agendamentos comuns do Coletivo. Ligue para o telefone (11) 3812-8681 de segunda à sexta-feira das 9h às 17h e solicite a consulta social.

Os pagamentos podem ser realizados em dinheiro ou através de cartão de débito.
 

Consultas em saúde das mulheres (obstetrizes ou médicas):

Para agendar sua consulta você deve ligar para o número (11) 3812-8681 de segunda à sexta-feira das 9h às 17h.
E-mail: mulheresorg@gmail.com (para dúvidas ou dificuldades com as ligações)

Saúde Mental:

As consultas em Saúde Mental são oferecidas por psicólogas, psicólogos e pelas médicas de família e comunidade. A primeira consulta acontece primeiramente com um/a da/os psicólogos da equipe.

Consultas em psicologia:

Ligar em horário comercial no número 3812-8681, enviar um email para mulheresorg@gmail.com e deixar nome e telefone, ou fazer um cadastro em http://mulheres.org.br/atendimentos/saude-mental/
Um de nossos analistas ligará para agendar a entrevista. Temos uma lista de espera que funciona por ordem de solicitação de, em média, 15 dias.
Os valores não são fixos, são negociados caso a caso.
Consultas com advogadas, doula, nutricionista ou astróloga:
Ligar para o nosso telefone fixo (11)3812-8681 ou envie e-mail mulheresorg@gmail.com
 
Sim. Atualmente a equipe do ambulatório de saúde das mulheres conta com 2 ginecologistas obstetras e 7 médicas de família e comunidade. Além destas profissionais, as consultas em saúde das mulheres também são ofertadas pelas obstetrizes.

Obstetrizes são profissionais da saúde graduadas em Obstetrícia, e tem habilitação para atuarem em qualquer serviço de saúde de atenção primária para mulheres. Atualmente a equipe de obstetrizes do Coletivo acompanham pré-natal, consultas de planejamento reprodutivo (consulta que inclui a medição de diafragma) e realizam oficinas e atividades de educação sexual e reprodutiva, além de ginecologia autônoma e natural.

No Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde o trabalho das médicas de família envolve não só o cuidado de pessoas do ponto de vista ginecológico (com exames de rastreio e prevenção de doenças), mas também em saúde geral. Portanto, o atendimento com uma médica de família proporciona uma atenção integral à saúde com foco em decisão compartilhada e promoção de autonomia e autocuidado, seguindo o princípio da não maleficência, ou seja, de não causar dano.

A troca de conhecimentos e experiências entre a nutricionista e a/o usuária/o, possibilita o desenvolvimento de suas potencialidades e autonomia para a efetivação de comportamentos consistentes, coerentes e conscientes. Por meio de uma abordagem biológica, psicológica e social de Nutrição – na contramão de tratamentos funcionais, estilos fitness e dietas restritivas – facilitamos um processo de cuidado flexível, educativo, dinâmico e reflexivo para a promoção de saúde, prevenção de doenças e o bem-estar físico, mental e social.

Doulas são acompanhantes de mulheres em processos de gestação, parto e puerpério. A doula pode te orientar quanto à possibilidades mais atualizadas, seguras e respeitosas para a vivência do pré natal e parto na cidade de São Paulo, a partir de suas individualidades, seu território, e possibilidades financeiras. Também pode oferecer possibilidades de preparação corporal, e suporte no pós parto imediato.

No Coletivo, apenas é realizada a coleta de colpocitologia (papanicolau ou preventivo). Esta coleta é levada pela própria mulher para o laboratório que preferir. Não fazemos exames laboratoriais, de imagem ou procedimentos cirúrgicos.
São realizados exames clínicos, escuta ativa, pedidos de exames se necessários, e toda consulta tem o retorno incluso (seja com médica ou obstetriz).

Partos e Nascimentos

No Coletivo, apenas é realizada a coleta de colpocitologia (papanicolau ou preventivo). Esta coleta é levada pela própria mulher para o laboratório que preferir. Não fazemos exames laboratoriais, de imagem ou procedimentos cirúrgicos.
São realizados exames clínicos, escuta ativa, pedidos de exames se necessários, e toda consulta tem o retorno incluso (seja com médica ou obstetriz).

Acompanhamento de Pessoas

Sim, o Coletivo faz consultas em bebês e crianças, a chamada puericultura, com a equipe das Médicas de Família e Comunidade. Ligue para agendar a consulta.

Sim, o Coletivo atende qualquer pessoa, independente de seu gênero e/ou sexo.

Sim, os atendimentos são para qualquer pessoa, independente de seu gênero, sexo ou idade. As consultas com homens cis ou mulheres trans, pessoas idosas ou crianças podem ser realizadas pelas médicas de família e comunidade, nutricionista, advogadas ou equipe de psicologia, conforme a necessidade.

História do Coletivo

A História do Coletivo Feminista

O Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde surgiu em 1981 em São Paulo, dentro do contexto da criação de grupos de mulheres lutando pela saúde e pelos direitos reprodutivos e sexuais. na história do coletivo temos como fundadoras Elisabeth Souza Lobo, Maria José de Oliveira Araújo e Maria Tereza Verardo. A proposta inaugural era resgatar a saúde como uma questão de direito das mulheres, além da compreensão de que as questões pessoais são questões políticas.

Os primeiros trabalhos do Coletivo Feminista realizaram-se em sindicatos, associações de bairro e outras entidades situadas na periferia e em municípios vizinhos: Grajaú, Carapicuíba, Santa Isabel, Guarulhos, entre outros. Os cursos de sensibilização para questões da saúde da mulher estavam dirigidos para multiplicadores.

Os cursos no Coletivo Feminista

O objetivo principal dos cursos era estimular a reflexão das mulheres sobre o corpo, a saúde, a contracepção e a maternidade para que assim melhorassem suas condições de vida, e passassem a participar da vida da comunidade e dos espaços públicos.

O Coletivo Feminista, ao receber várias solicitações para a criação de cursos, decidiu desenvolver um trabalho de formação de mulheres que se tornassem aptas a multiplicar a proposta. Como resultado desses cursos, o Coletivo Feminista publicou o caderno O Prazer é Revolucionário, e elaborou outros materiais educativos referentes aos temas trabalhados.

Ambulatório

Ao longo do processo de maturação do Coletivo Feminista, suas integrantes perceberam a necessidade de sistematizar as experiências e criar um espaço em que a teoria e as reflexões pudessem ser aplicadas. Como inspiração para a criação do ambulatório, havia também a experiência vivida por Maria José de Oliveira Araújo no Dispensaire des Femmes, em Genebra. Ao voltar ao Brasil, ela percebeu que o movimento de mulheres pela saúde estava maduro para criar um ambulatório, que colocasse novos paradigmas de atendimento às mulheres.

O processo de formação e de capacitação do ambulatório começou entre as próprias participantes, desde exercícios práticos até discussões acerca das questões que envolviam a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Essas discussões foram amplas e contaram com pessoas de várias áreas, isto é, profissionais de saúde, mulheres da universidade, mulheres dos movimentos de base, intelectuais etc. O ambulatório foi aberto em 1984.

Parcerias
O Coletivo Feminista tem realizado importantes parcerias em São Paulo e em vários outros estados brasileiros. Uma parceria muito importante é com a universidade — onde o caminho é de ida e de volta, ou seja, de alimentação recíproca. Dois exemplos concretos de parceria são uma pesquisa realizada com o Cemicamp, sobre o uso do diafragma, e a parceria realizada com o Departamento de Medicina Preventiva da USP, em torno da capacitação de profissionais de saúde para o atendimento à mulher em situação de violência sexual e doméstica. O Coletivo Feminista também prestou, consultorias para várias prefeituras como as de Porto Alegre, Goiânia, São Paulo, Santos, São José dos Campos e Cuiabá.
A história do Coletivo é uma história política

O Coletivo Feminista não tem, nem nunca teve, intenção de substituir o Estado no atendimento às mulheres, mesmo porque isso seria impossível. A proposta é oferecer um novo modelo de atendimento.

Sua principal meta é que as usuárias que passam pelos seus serviços, sintam-se satisfeitas em suas demandas. Que o modelo de atenção à saúde da mulher, criado por nós, possa ser aproveitado em outros espaços, e que sejam os mais amplos e diversos possíveis.

Nosso modelo prova que é possível romper com a relação hierarquizada, com a forma biologicista e individualista de enxergar a mulher dentro da consulta ginecológica. Portanto, é um modelo político, pois se insere em um contexto mais amplo. Ele propõem uma intervenção positiva e propositiva nas políticas públicas de saúde, direitos reprodutivos e sexuais da mulher. É político também ao criar novos conceitos e fomentar novas tecnologias.

Pesquisas do Coletivo

Quando iniciamos o trabalho no Coletivo, a proposta era a de formar mulheres não-trabalhadoras de saúde para atender mulheres de uma perspectiva feminista. Fizemos uma primeira etapa de formação, e o ambulatório era o eixo do trabalho. No decorrer dos anos, novas tarefas foram se incorporando, como a formação dos recursos humanos, entre elas a pesquisa e o ativismo nas redes sociais.

O Coletivo foi cada vez mais me envolvendo com a pesquisa. Embora essa não fosse sua intenção original, a pesquisa mostrou-se ser uma de suas vocações. Nesses anos do trabalho com saúde reprodutiva, várias temáticas vão se acrescentando ao trabalho, e assim se tornando objeto da assistência e de investigação.

Pesquisas do Coletivo

Um deles foi o da contracepção e da busca por oferecer opções contraceptivas mais amplas para suas usuárias, através do atendimento individual, da prioridade aos métodos de barreira e sob o controle da mulher, do atendimento em grupo e dos treinamentos oferecidos no contexto do PAISM. Tivemos a oportunidade de pesquisar,na maioria das vezes em redes de parcerias muito enriquecedoras.

Entre elas as pesquisas sobre “Aborto – A Outra Versão do Crime” (vivência das mulheres com gravidez indesejada em busca de um aborto seguro), sobre “A Eficácia e Aceitabilidade do Diafragma no Contexto Brasileiro”, sobre “Saúde e Direitos Reprodutivos” em uma rede transcultural de pesquisa, o IRRRAG (Grupo de Pesquisa e Ação em Direitos Reprodutivos, da sigla em inglês); sobre masculinidade em “Homens, Sexualidade e a Construção da Pessoa”, também na rede de pesquisa do IRRRAG; sobre Violência de gênero na família e nas instituições de saúde (em parceria com o Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP); sobre AIDS e saúde reprodutiva com vários parceiros e com o Ministério da Saúde, entre outras.

Pesquisas do Coletivo

Também estudamos as grandes mudanças em nossa demanda de usuárias e no perfil de uso de métodos, em especial no contexto da epidemia de DSTs/AIDS, e das perspectivas, limites e possibilidades trazidas por este novo contexto e pelos novos métodos, para o milênio que se iniciou. E sobre como as relações de gênero estão envolvidas na capacidade de homens e mulheres de cuidarem de sua saúde sexual e de se protegerem das DSTs e da AIDS.

Outro tema foi o da violência contra as mulheres. Desde o início do trabalho no Ambulatório do Coletivo, o problema da violência – em todas as suas formas, das ameaças de espancamento ao abuso sexual incestuoso – já era um problema reconhecido. Esse tema se desdobra em todo um projeto de pesquisa, ação, formação, criação de redes, que foram os projetos de Violência, Gênero e Direitos Humanos – Novas questões para o campo da saúde, apoiado Fundação FORD. O trabalho foi uma fértil parceria entre o CFSS e o Departamento de Medicina Preventiva – (FM-USP), em especial com a professora Lilia Schraiber e com Ana Flávia P. L. d’Oliveira. Atualmente conduzimos a pesquisa “25 anos de respostas brasileiras em violência contra a mulher”, apoiado pela Fundação Ford.

Na trajetória do Coletivo Feminista Sexualidade Saúde, um dos trabalhos mais importantes foi o apoio à maternidade, gravidez e parto saudáveis e prazerosas, através da assistência individual e em grupo das gestantes e seus parceiros no serviço, e pela participação do Coletivo na luta pela mudança das políticas com relação à maternidade e pela humanização da assistência. Um dado importante é a própria mudança na reflexão sobre a maternidade entre nós desde então.

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Segundo a OMS, o Brasil tem a 5a. maior taxa de feminicídios do mundo. Entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres morreram por serem mulheres. A Agência Patrícia Galvão traz dados que confirmam que ser mulher é um risco: uma travesti ou mulher trans é assassinada no país a cada dois dias; 30 mulheres sofrem agressão física por hora; uma mulher é estuprada a cada dez minutos; 97% das mulheres já foram vítimas de assédio no transporte; e 76% das mulheres já sofreram violência e assédio no trabalho.