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Você tá com a vacinação em dia?

“Você está com a vacinação em dia?” Uma pergunta que escutamos muito desde o desenvolvimento da vacinação contra COVID-19. Muitas das pessoas respondem que sim para as 3 (ou 4) doses atualmente disponíveis pelo SUS. Mas, e a vacina contra difteria e tétano? E a tríplice viral? Será que a vacinação está realmente “em dia”? Se não, por que é importante tomar uma vacina?

A vacinação é uma das melhores estratégias de medicina preventiva. Além de proteger a própria pessoa imunizada contra doenças graves e potencialmente letais, acaba por proteger pessoas que não podem ser vacinadas (como imunossuprimidos) por meio da imunidade de rebanho. Isso ocorre quando a parcela de imunizados na população supera o número de não imunizados o suficiente para reduzir o risco de transmissão da doença. Para que isso ocorra, é necessário que a maior parte da população seja vacinada. Às vezes, com vacinação efetiva e bem difundida, é possível inclusive que uma doença seja erradicada, como no caso da varíola (último registro no mundo foi em 1977).

O movimento anti-vacina argumenta que entrar em contato com a doença diretamente também torna possível a imunização de rebanho a longo prazo, levando em conta que as pessoas desenvolvem a imunidade pela doença, impedindo que novas pessoas se infectem. Isso é verdade. Porém, como vacinas são desenvolvidas para doenças graves ou que tenham sequelas graves, é possível impedir grande número de mortos por meio da vacinação em massa, além de evitar que as pessoas desenvolvam os sintomas da doença.

Em alguns casos, a doença está erradicada no Brasil, mas mantemos a vacinação já que em outros países ainda existe a doença que pode gerar uma nova onda de transmissão (como no caso da poliomielite, erradicada do Brasil há 35 anos).

Imagem ao lado:  efetividade das vacinas na redução de mortes

fonte: UpToDate

Mas afinal, como funciona uma vacina?

Quando ficamos doentes, entramos em contato com um patógeno (podendo ser um vírus, uma bactéria etc.), o nosso sistema imune desenvolve anticorpos que destroem o patógeno. Muitas vezes isso gera o que chamamos de memória imunológica em que, caso o patógeno retorne ao corpo mais adiante, já teremos os anticorpos necessários para rapidamente combater à doença.

A vacina funciona de maneira parecida, mas em vez de darmos o patógeno inteiro para a pessoa (o que poderia provocar sintomas graves), são fornecidas partes do patógeno ou o patógeno “inativado”. Isso estimula nosso sistema imunológico a desenvolver a memória imunológica sem a necessidade de ficarmos doentes. Algumas vacinas causam efeitos colaterais, mas com sintomas muito mais brandos.

Algumas vacinas produzem a imunidade mais rapidamente, outras precisam de reforços para atingir a imunidade ideal, por isso algumas vacinas precisam de mais de uma dose ou até de um reforço periódico.

Vacinas não são exclusivas da nossa infância e adolescência. Além das 3 (ou 4) doses contra COVID-19, adulto precisa manter uma dose de reforço de difteria e tétano (dT) a cada 10 anos, além de avaliar se tem esquema vacinal completo contra hepatite B, febre amarela, e sarampo, caxumba e rubéola (a famosa “tríplice viral”).

E você, está com a vacina “em dia”?

Sobre a autora: Monica Verdier é médica de família com graduação e residência pela FMUSP. Atualmente faz pós-graduação em Sexualidade Humana/ Terapia Sexual no IEPOS (Hospital Pérola Byington). Trabalha no Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde desde 2021. Bailarina nas horas livres.
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Segundo a OMS, o Brasil tem a 5a. maior taxa de feminicídios do mundo. Entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres morreram por serem mulheres. A Agência Patrícia Galvão traz dados que confirmam que ser mulher é um risco: uma travesti ou mulher trans é assassinada no país a cada dois dias; 30 mulheres sofrem agressão física por hora; uma mulher é estuprada a cada dez minutos; 97% das mulheres já foram vítimas de assédio no transporte; e 76% das mulheres já sofreram violência e assédio no trabalho.