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Suicídio, como lidar?

Ideação suicida não é chantagem emocional. Não é falta de fé, covardia ou fragilidade. As falas das pessoas em sofrimento, que se dizem dispostas a buscar algo tão radical, sugerem que algo da ordem do impossível está se passando com elas e que elas já esgotaram seus recursos para enfrentar suas questões.

Por isso um amigo, um familiar ou profissional de qualquer área que ouve algum desses relatos não deve ignorá-lo. A verbalização da ideação suicida pode ser uma forma bem-sucedida de a pessoa em sofrimento pedir ajuda, para conseguir voltar a se enlaçar e a se sentir apoiada, já que seus apoios individuais não estão mais dando conta de seu sofrimento.

O sofrimento mental está ligado a realidade psíquica e não ao que acontece no mundo (na realidade que podemos compartilhar), portanto, aquilo que para um pode ser fácil de lidar, para outra pessoa se transforma em grande sofrimento. A realidade psíquica não condiz com a realidade objetiva e nem sempre o que faz alguém sofrer tem sentido para a outra pessoa, o que pode dificultar a empatia de amigos e parentes.

Então, como um amigo ou familiar pode ajudar? Escutando a queixa, o mal-estar, o sofrimento desta pessoa. Ao contrário do que se pensa, pode evitar que ela passe ao ato e, ainda, fazer com que refaça os laços com quem a escuta. É importante, então, ouvir sem julgamentos e direcionar a pessoa ou aconselhá-la a procurar ajuda profissional.

Quando se trata de suicídio podemos subverter o velho ditado “cão que ladra não morde” para: “cão que não ladra pode morder”. Ou seja, falar do que faz sofrer pode fazer toda a diferença.

Escrito pela equipe do Inconsciente Real

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Segundo a OMS, o Brasil tem a 5a. maior taxa de feminicídios do mundo. Entre 1980 e 2013, 106.093 mulheres morreram por serem mulheres. A Agência Patrícia Galvão traz dados que confirmam que ser mulher é um risco: uma travesti ou mulher trans é assassinada no país a cada dois dias; 30 mulheres sofrem agressão física por hora; uma mulher é estuprada a cada dez minutos; 97% das mulheres já foram vítimas de assédio no transporte; e 76% das mulheres já sofreram violência e assédio no trabalho.